

Na maioria das vezes, o que as pessoas enxergam é o profissional tendo destaque no mercado. Mas nem todos possuem conhecimento da jornada dele, o que já passou, o que precisou abrir mão, as habilidades que teve que desenvolver e as atitudes que tomou para construir uma carreira de sucesso.
Tenho recebido diversas mensagens em minhas redes sociais e em minhas palestras sobre como criei uma carreira de destaque e relevante para o mercado. São anos de jornada, erros, acertos e aprendizados, mas resolvi resumir e trazer aqui as sete habilidades e atitudes necessárias para ter uma carreira de sucesso para que você também conquiste a sua.
1- Rede de Contatos
Coloco a rede de contatos como item número 1 deste artigo para que entenda o impacto que ela pode ter na sua carreira. Percebi isso mesmo antes de conseguir meu primeiro cargo efetivo no mercado de trabalho.
Aqueles que não estiveram em uma palestra minha, não fizeram mentorias comigo ou mesmo ainda não tiveram acesso ao início da minha jornada em conteúdos do meu site e LinkedIn, talvez não saibam, mas um dos principais fatores que fizeram com que eu tivesse minha primeira experiência de carreira, dentro da Toshiba, foi a rede de contatos. Estava em um momento de descontração, jogando futebol na PUC com um colega e em determinado momento, ele comentou que o pai trabalhava na Toshiba e que havia uma vaga aberta que poderia me interessar. Enviei o currículo, passei pelo processo seletivo, me saí bem na entrevista e acabei sendo chamado. Claro que o desenvolvimento durante a entrevista era responsabilidade minha, mas se não fosse pelo meu colega, não teria ficado nem mesmo sabendo da oportunidade.
Ter uma boa rede de contatos não se limita apenas aos grupos do seu mercado e empresa, mas a pessoas que podem de alguma forma lhe auxiliar em determinado momento e você a elas. Se não houver uma troca, se não impactar o outro lado de maneira positiva, as oportunidades tendem a não aparecer com tanta facilidade e frequência, pois não lembrarão do seu nome. E isso já faz com que eu entre na próxima habilidade e atitude para construir uma carreira relevante e de sucesso.
2- O famoso “Espírito de Dono”
Independente se era um estágio, cargo de diretoria, se a empresa era minha ou não, algo que faço desde o início é trabalhar como se fosse o dono do negócio. Sempre trabalhei assim e é um ponto que destaco no trabalho que faço com meus mentorados e equipes.
Lembro que já na época de estágio, quando terminava uma atividade, sempre buscava algo adicional para incorporar ao que já tinha desenvolvido ou ia em outro setor da empresa para ver de que forma poderia auxiliar. Essa minha atitude em querer fazer além, fez com que eu fosse construindo meu espaço e relevância dentro do ambiente profissional, tanto é que no setor no qual atuava como estagiário, que tinha cinco pessoas, passei a gerar 60% dos resultados do grupo. Ou seja, desde muito novo direciono minha mente e meu comportamento para entregar aquilo que me comprometi a fazer e também algo mais, sempre com esse “Espírito de Dono”, o chamado Ownership.
3- Resiliência
Todo mundo fala isso, mas no mercado atual, essa habilidade tem se tornado cada vez mais necessária, principalmente entre as novas gerações. Aprendi a desenvolver a minha quando iniciei minha carreira na Siemens. Havia sido contratado como estagiário e depois trainee, e o próximo passo seria assumir um cargo como Engenheiro, mas não havia essa oportunidade no momento, não tinha vaga aberta. O que eu fiz? Batalhei por ela. Batalhei para chamar a atenção, conquistar meu espaço e ter minha oportunidade lá dentro. E consegui, com meu esforço e dedicação, sem ter que passar por cima ou mesmo prejudicar ninguém no caminho.
O fato de ter sido resiliente, buscando um caminho no qual encontraria obstáculos, me gerou a oportunidade de impactar não apenas dentro da empresa mas em diversos mercados com os quais trabalhei, como a mineração, siderurgia, entre outros, em projetos transformacionais com tecnologias voltadas para o setor industrial.
4- Flexibilidade
Possuir a característica e habilidade de flexibilidade não é para qualquer um. Mudar pode ser um processo complexo para algumas pessoas, seja na carreira ou em outras áreas da vida. Tive dois momentos marcantes nos quais testei essa minha característica.
O primeiro deles foi quando me mudei para São Paulo. O desafio não foi apenas o de me mudar de cidade, mas também o de atuar em novos segmentos no mercado de automação industrial. Assumi a responsabilidade da área de automação na maior regional da empresa, então fora as áreas de mercado que já tinha experiência e trabalhava, fui trabalhar também com o setor químico, petroquímico, farmacêutico, de alimentos e bebidas, automotivo, entre outros. Obviamente precisei sair da minha zona de conforto para continuar me destacando. Foi um processo de muito aprendizado e determinação que gerou resultados positivos tanto para a empresa quanto para mim. Um exemplo disso é o fato de que nós tivemos sucesso em 100% das 3 campanhas nacionais que participei.
Querer estar em destaque compartilhando meu conhecimento e auxiliando o mercado a evoluir sempre foi meu foco. Meu plano de carreira era o de alcançar posições de ainda maior destaque. Estava crescendo cada vez mais, criando oportunidades e desenvolvendo ainda mais espaço na organização, tanto é houve uma oportunidade para me mudar e trabalhar na Alemanha. O plano era esse, estava quase indo morar no novo país, até que minha habilidade de ser flexível foi testada novamente.
Na época, minha esposa e eu ainda éramos namorados, e ela havia passado em um concurso público em Belo Horizonte. Eu tinha duas escolhas: ou ia para Alemanha sem ela, ou negava a oportunidade que tinha em mãos e permanecia no Brasil ao lado dela. Optei pelo segundo cenário e não me arrependo nem um segundo.
Se a flexibilidade não fosse algo já desenvolvido em mim, se não tivesse priorizado a minha família e não tivesse optado por ficar, não teria tido uma outra oportunidade na carreira: o de abrir e desenvolver uma filial da Omron no Brasil que atendesse cinco estados de uma só vez.
5- Conexão com Gerações
Um dos maiores desafios das empresas e lideranças atualmente é saber lidar e conectar as diversas gerações presentes nas organizações. Por mais que hoje essa questão esteja mais perceptível, lá atrás, quando aceitei o convite da Omron, já tinha como vontade e intenção de trabalhar com equipes de profissionais que realmente tinham pensamentos distintos, porque isso nos faria crescer. Então, quando comecei a montar a filial no Brasil, criei tudo praticamente do zero, inclusive uma equipe bem diversa.
Em todas as oportunidades de carreira que tive depois, na GE, na Logix, na Accenture, nas minhas mentorias e palestras, essa vivência lá atrás me permitiu lidar de uma maneira muito mais eficaz e assertiva com profissionais de gerações diferentes dentro da empresa.
6- Atitude de Arriscar
Você largaria a carreira que já tem para ganhar nada e começar tudo do zero? Arriscar tudo o que se tem é uma atitude que precisa ser bem avaliada. Fiz isso e assumi minha decisão.
Na época, trabalhava na GE e liderava no Brasil a área de automação industrial, TI industrial, convergência IT/OT, indústria 4.0 voltada para as indústrias de mineração, siderurgia e portos. O cargo era o sonho de muitos profissionais, mas durante minha atuação, percebi que queria continuar impactando aquele mercado mas de forma diferente: empreendendo. Foi então que tomei coragem, larguei a posição e fui criar o meu próprio negócio com alguns colegas. Conto um pouco de como foi esse processo no vídeo abaixo:
No primeiro ano empreendendo, geramos 14 milhões em negócios para clientes de diversos setores espalhados pelo Brasil. Foram quatro anos de muito aprendizado de liderança, gestão, relacionamento e mercado. O negócio foi expandindo e no fim viramos um grupo, com três empresas e uma startup, e aproximadamente 200 colaboradores. Nos destacamos no mercado e passamos a receber propostas de compra, e uma delas foi a da Cast Group, para o qual vendemos e eu ainda atuei como Diretor Executivo por quase dois anos, sendo Head de BU de Indústria 4.0, Automação e Energia.
A minha atitude de arriscar me fez entender o outro lado do mercado, o do empreendedor, o que fez com que eu entendesse ainda mais sobre o meu propósito de vida, que é o de inspirar e motivar pessoas para impactar positivamente vidas e o mercado como um todo.
Já na Accenture, entrei numa área chamada Industry X, que se destina a Transformação das Operações, Manufaturas e Engenharias. Foram 5 anos de muita alegria, desafios e oportunidades, sucesso e impacto positivo na vida das pessoas e no mercado. Realmente um belo desafio de intraempreendedorismo.
Durante os períodos como empreendedor e intraempreendedor, passei a dar ainda mais valor ao item a seguir.
7- Busca pelo conhecimento
Hoje o termo “Lifelong Learning” está muito mais conhecido e tem sido praticado por profissionais que passaram a entender o papel do estudo constante no desenvolvimento da carreira. Ao longo da minha trajetória, busquei mesclar cursos de longa e curta duração para não parar de aprender. Já fiz curso de relações interpessoais com Leonardo Calixto, MBA na FGV com extensão em Ohio (Estados Unidos), mestrado na Dom Cabral, formação como Conselheiro, formação de palestrante e High Speaker, mentorias com profissionais referência no mercado para evoluir ainda mais, como a de estratégia de marca pessoal com o Ricardo Dalbosco, e por aí vai.
Parar de buscar conhecimento não está nos meus planos. Vou continuar atrás de novas informações, tendências, experiências, estratégias e tecnologias, porque é a partir do meu aumento de consciência que consigo auxiliar ainda mais o mercado e meus mentorados a também terem sucesso.
O que você tem feito para aumentar suas habilidades e se tornar um(a) profissional com mais atitude para construir uma carreira de sucesso e ter destaque no mercado?