

Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de trabalhar com grandes líderes e empresas de renome global. Esta jornada me proporcionou experiências enriquecedoras e me levou a mergulhar ainda mais no papel de mentor, ajudando profissionais e empresas a se destacarem em mercados desafiadores. Acredito que ser um mentor não é apenas sobre compartilhar conhecimento, mas também sobre ouvir, compreender contextos únicos e desafiar perspectivas. Neste artigo, compartilho quais são os dez principais ensinamentos que aprendi mentorando profissionais nos últimos anos e que acredito serem relevantes para qualquer pessoa em busca evolução.
1. Tecnologia é um meio, não o fim
No setor de Tecnologia e Inovação, é comum sermos atraídos por palavras como “inteligência artificial”, “IoT” ou “cloud computing”. Porém, o que realmente importa é como essas ferramentas são aplicadas para resolver problemas reais. Por exemplo, implementar uma solução de machine learning é excelente, mas se ela não se traduzir em processos mais eficientes ou em melhores resultados para as organizações, será apenas uma inovação vazia. Meu trabalho como mentor também inclui ajudar profissionais e empresas a enxergarem além das tendências, focando na aplicação prática e estratégica da tecnologia para gerar impacto real.
De acordo com a pesquisa mais recente da McKinsey, o uso da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo apresentou um crescimento significativo em um curto período. Em 10 meses, o percentual de empresas que declararam utilizar a tecnologia aumentou de 55% em 2023 para 72% em 2024, e referente a IA Generativa é quase o dobro em relação ao levantamento anterior, conforme o gráfico abaixo.
Se você deseja se destacar na área de tecnologia e inovação, pergunte-se: “Como as ferramentas que utilizo estão gerando valor?”. A resposta para essa pergunta pode mudar completamente a forma como você trabalha, influenciando desde a tomada de decisões estratégicas até a maneira como você colabora com sua equipe e entrega soluções mais eficientes e impactantes para o mercado.
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2. Autoconhecimento é a base do sucesso
No mundo tecnológico em que vivemos, onde as competências técnicas são frequentemente priorizadas, é fácil esquecer o poder do autoconhecimento para o sucesso na carreira. No entanto, profissionais que entendem suas forças e limitações têm uma enorme vantagem: eles conseguem alinhar suas habilidades às necessidades do mercado e das empresas.
Um profissional que se destaca no mercado não apenas domina as tecnologias, mas também tem clareza sobre como seu trabalho impacta o negócio. O autoconhecimento é o que diferencia profissionais que seguem tendências daqueles que definem caminhos para o sucesso.
3. Empatia é essencial, mas subestimada
A área de tecnologia, muitas vezes, é vista como um ambiente técnico e analítico, mas a verdade é que ela é construída por pessoas e para pessoas. A empatia é uma habilidade essencial para criar soluções, sejam produtos ou serviços, que realmente atendam às necessidades dos clientes (externos ou internos).
Empatia também é essencial para líderes que querem engajar seus times. Uma equipe motivada e conectada entrega mais do que uma equipe apenas “orientada a tarefas”, pois colaboradores que se sentem valorizados e compreendidos tendem a ser mais criativos, produtivos e comprometidos com os resultados da empresa. Além disso, um ambiente de trabalho empático fortalece a cultura organizacional, melhora a comunicação interna e reduz a rotatividade, criando um ciclo positivo de colaboração e inovação.
Um estudo da Harvard Business Review revelou que líderes empáticos, que cultivam um ambiente de segurança psicológica, podem elevar a colaboração e o compartilhamento de ideias em até 76% em sua equipe. Quando os profissionais se sentem valorizados e respeitados, há uma maior disposição para expressar suas opiniões e sugerir inovações. Este ambiente de confiança fortalece o engajamento da equipe e incentiva a construção de soluções mais criativas e eficazes.
4. O maior inimigo da inovação é o medo
Vivemos em um momento de constante transformação digital e a inovação é a regra, não a exceção. No entanto, vejo muitos profissionais e empresas hesitarem em adotar novas abordagens por medo de errar. No mundo da tecnologia, o erro é inevitável, mas também é o combustível para o aprendizado. Em um processo de mentoria, o mentorado precisa compreender que alguns riscos são necessários para atender grandes expectativas.
Uma pesquisa realizada pela McKinsey apresenta a evolução dos cargos de alto nível voltados para inovação (CINO) e tecnologia (CTO) entre 2018 e 2024. Os dados indicam um crescimento contínuo, destacando a relevância crescente dessas posições diante dos avanços tecnológicos e da demanda por maior agilidade nas organizações.
Fonte: Carsten Krause, CDO TIMES Research, McKinsey
O que diferencia os inovadores de sucesso é sua disposição de experimentar e a capacidade de escalar com resultados. Por exemplo, os MVPs (Minimum Viable Products) são uma prática comum no setor tecnológico, permitindo que ideias sejam testadas rapidamente e ajustadas com base no feedback. Aceitar o erro como parte do processo é o primeiro passo para criar algo disruptivo.
5. A comunicação é uma ferramenta estratégica na carreira
Dominar conceitos técnicos na carreira é importante, mas não é o suficiente. Saber comunicar ideias complexas de forma clara e acessível pode ser o diferencial que coloca você na frente. Profissionais que conseguem traduzir informações técnicas para diferentes públicos, sejam líderes, clientes ou times multidisciplinares, não apenas se destacam, mas também influenciam decisões estratégicas, constroem credibilidade e ampliam suas oportunidades de crescimento na empresa e no mercado.
Palestrando sobre Tendências da Tecnologia e Inovação na Indústria – Fonte da imagem: Acervo pessoal.
Um CTO (Chief Technology Officer), por exemplo, precisa traduzir conceitos técnicos para que o conselho executivo entenda o impacto de uma solução. Desenvolver essa habilidade não é apenas sobre falar bem, mas sobre ser compreendido, e esta habilidade é estratégica para qualquer profissional que queira crescer na carreira.
6. A colaboração sempre supera a competição
Em um mercado tão dinâmico quanto o da tecnologia, o trabalho em equipe é essencial. Muitos projetos exigem que profissionais de diferentes áreas, desde desenvolvedores(as) em TI até analistas de negócios ou engenheiros(as) de processos, colaborem para alcançar resultados significativos.
Ao invés de competir por reconhecimento individual, as equipes que priorizam a colaboração conseguem gerar soluções mais completas e inovadoras. Um case comum são as metodologias ágeis, que colocam a comunicação e o trabalho em grupo no centro dos processos. Na minha experiência como mentor, sempre enfatizo que o crescimento coletivo não diminui a relevância individual, ele amplifica.
7. Disciplina vence o talento desorganizado
A tecnologia é uma área em constante evolução, com novos frameworks, linguagens e metodologias surgindo a cada dia. Os profissionais que se destacam não são apenas talentosos, mas disciplinados em aprender continuamente e aplicar esse conhecimento de forma consistente.
Adquirir uma nova certificação ou aprender uma nova linguagem de programação não acontece de um dia para o outro. É a soma de pequenos esforços diários que leva a grandes resultados. E isso vale não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também para habilidades comportamentais, como liderança e gestão de tempo.
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Mentorar profissionais me ensinou que, independentemente da área ou do nível hierárquico, o que buscamos no final do dia é evolução técnica, emocional e humana. E isso só é possível com uma visão clara de onde queremos chegar e uma disposição genuína para aprender e se transformar. Se esses ensinamentos ressoam com você, recomendo refletir sobre como eles podem se aplicar ao seu momento profissional. Às vezes, um pequeno ajuste na forma de pensar ou agir pode ser o ponto de virada para alcançar o próximo nível e este é o meu papel como mentor. Que possamos crescer e inovar juntos.
8. Estratégia baseada em dados
Os profissionais que utilizam dados de forma estratégica conseguem prever tendências, entender melhor seus clientes e otimizar processos com muito mais precisão. No entanto, um dos maiores desafios que observo em meus mentorados é a dificuldade de transformar dados brutos em execução. Não basta coletar números. É preciso saber interpretá-los, contextualizá-los e conectá-los aos objetivos do negócio.
Para profissionais da área de tecnologia e inovação, essa competência é ainda mais crítica. O volume de dados gerados por sensores, sistemas de automação, inteligência artificial e análise preditiva cresce exponencialmente, e a capacidade de extrair valor dessas informações pode definir o sucesso ou o fracasso de um projeto. Isso significa que você não pode se limitar a entender apenas a parte técnica. Você precisa traduzir os dados em soluções práticas, comunicar descobertas de forma clara e propor estratégias que impulsionem o crescimento do negócio.
Além disso, a cultura data-driven (orientada a dados) exige uma mentalidade analítica, aliada a um olhar estratégico. Ferramentas de Business Intelligence (BI), algoritmos de machine learning e painéis de indicadores são apenas meios. O verdadeiro diferencial está em saber quais perguntas fazer e como os dados podem apoiar a tomada de decisão. Profissionais que dominam essa habilidade não apenas tomam decisões mais embasadas, mas também se tornam indispensáveis na construção de estratégias inovadoras e competitivas, contribuindo para que suas empresas se destaquem em mercados cada vez mais dinâmicos.
Em breve, ministrarei aulas na pós-graduação online da Fundação Dom Cabral (FDC), para a disciplina Estratégia Baseada em Dados.
9. Networking acelera o seu crescimento
O conhecimento técnico é essencial, mas as conexões certas podem ser o fator determinante para o crescimento profissional e a geração de oportunidades. O networking vai muito além de trocar cartões de visita ou adicionar contatos no LinkedIn. Trata-se de construir relações genuínas, baseadas em troca de conhecimento, colaboração e confiança.
Em minhas mentorias, percebo que muitos profissionais subestimam o impacto do networking, focando exclusivamente no desenvolvimento de habilidades técnicas. No entanto, estar bem conectado pode abrir muitas portas para novas oportunidades e parcerias. Grandes inovações frequentemente surgem da interseção entre diferentes áreas e perspectivas. Profissionais que ampliam suas redes têm acesso a novas ideias, tendências de mercado e oportunidades de aprendizado que não encontrariam sozinhos.
Treinamento para a Localiza pela FDC (Fundação Dom Cabral) no tema Agilidade e Inovação – Fonte: Acervo Pessoal.
Outro ponto fundamental é a forma como você se posiciona dentro da sua rede. Não basta apenas buscar conexões, pois é essencial agregar valor. Compartilhar conhecimento, oferecer ajuda e demonstrar interesse genuíno pelo trabalho dos outros são atitudes que fortalecem sua presença e credibilidade no setor. Além disso, eventos, comunidades online e mentorias podem ser ótimas oportunidades para expandir sua rede e se manter atualizado sobre as transformações do mercado.
10. Intraempreendedorismo transforma a sua carreira
Muitos profissionais acreditam que o espírito empreendedor é uma característica exclusiva de quem abre o próprio negócio. No entanto, dentro das empresas, há um perfil que se destaca cada vez mais: o intraempreendedor. Esse profissional não apenas executa tarefas, mas enxerga oportunidades, propõe soluções e age com o mesmo compromisso e responsabilidade que teria se a empresa fosse sua.
O intraempreendedorismo é um dos temas que destaco em minhas mentorias, especialmente entre aqueles que buscam crescer na carreira sem necessariamente seguir o caminho tradicional. Empresas inovadoras valorizam profissionais que assumem desafios, tomam decisões estratégicas e buscam melhorias constantes. Esse comportamento não passa despercebido pelos líderes e abre portas para promoções, participação em projetos estratégicos e até novos caminhos dentro da organização.
Leia o artigo “Intraempreendedorismo e a revolução na inovação”
Para se destacar como intraempreendedor, é fundamental desenvolver um olhar crítico e proativo. Isso significa ir além do escopo tradicional da sua função, antecipando problemas, sugerindo inovações e colaborando para que a empresa cresça. Mais do que simplesmente “fazer bem feito”, trata-se de pensar em eficiência, otimização e impacto no negócio como um todo.
Grandes transformações no mercado de tecnologia começaram com iniciativas intraempreendedoras. Profissionais que adotam essa mentalidade não apenas evoluem mais rápido, mas também ajudam a moldar o futuro das empresas em que atuam. No cenário atual, onde a inovação é um diferencial competitivo essencial, aqueles que possuem esse sentimento de dono se tornam indispensáveis.
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Sou Carlos Eduardo Boechat, Diretor de Tecnologia e Engenharia Industrial na Vale, especialista em transformação digital e indústria 4.0, Conselheiro, Mentor, Professor na FDC, Palestrante e Colunista.